O baixinho de terno na BR
Já era próximo à uma hora da tarde, quando passando de carro avistamos duas pessoas caminhando na lateral da BR; era um senhor baixinho de um metro e sessenta no máximo, era bem baixinho mesmo, moreninho claro com uma menininha do lado e vestido de terno. Estava frio, mas, terno de dia?
Trajava um terno Oxford daqueles antigos.
A minha esposa falou:
"mô, senti de Deus que devemos dar carona para eles". Imediatamente eu obedeci, parei e ofereci carona e eles disseram que queriam, então entraram no carro e nós seguimos a viagem.
Quinze minutos depois estávamos passando em frente a uma churrascaria, eles ficaram olhando e então a minha esposa perguntou: "Vocês já almoçaram?", "Não, não, nunca almoçamos", eles disseram. A minha esposa diz: "então paga almoço pra eles, amor."
Mediante a resposta, paramos, eles almoçaram, se alimentaram bem, quando estavam terminando eu perguntei para o senhor, para onde estavam indo, e ele respondeu:
"Pode nos deixar no trevo ali."
Já eram uns vinte quilômetros pra frente, então perguntei mais uma vez: "não senhor, me diga, vocês estão indo pra onde?"
Aí ele me disse assim sem saber que eu era cristão: "não, eu tô indo pregar."
Era um ponto de pregação da Assembléia de Deus em uma fazenda.
Como eu estava vestido à paisana, camiseta, calça jeans, não estava de terno, ou seja com roupa social, falei para ele dando uma de João sem braço: "O senhor é da Assembléia de Deus?"
Ele disse "sim, sou, sou da 'assembreia', assembreia mesmo."
- O senhor é pregador?
- Sim, sou pregador. Inclusive Deus me deu uma mensagem para pregar lá. Ele arrancou da bolsa um papel e ergueu a mão, e eu vi que estava escrito assim: "Ezequiel 37, o vale dos ossos secos."
Ele disse para mim que o Senhor havia o dado essa mensagem de madrugada enquanto orava. Então eu perguntei pra ele como é esse negócio de orar e Deus falar, como é que é isso, dando uma de João sem braço, buscando uma experiência, uma resposta de Deus.
Ele falou da seguinte maneira:
- Ó, o senhor não vai entender muito porque o senhor não é crente, mas é assim, eu faço campanha de jejum e oro, daí Deus me dá uma mensagem.
E eu perguntei:
- Mas como é esse negócio dos jejuns dos crentes?
Aí ele olhou pra mim em minha altura e disse:
- Eu começo um propósito meia-noite e vou até às seis horas da tarde do outro dia.
Eu falei:
- Tá! Bacana! Mas quantos dias o senhor faz essas campanhas?
Ele respondeu que dependeria do propósito, mas que a última que ele havia entregado no dia anterior duraram vinte e um dias. Essa conversa toda sem ele saber que eu era um cristão.
Lembrei que quando ele mostrou o papelzinho, as mãos dele estavam cheias de calos, daí perguntei pra ele:
-Mas suas mãos estão cheias de calos... Quando o senhor jejua o senhor trabalha?
Ele colocou a mão no peito e respondeu:
- Rapaz, é a safra do feijão, eu arranco dez tarefas por dia.
E eu continuei dizendo:
- meu Deus, o senhor só pode estar brincando comigo, o senhor em jejum arranca feijão?
Perguntei também:
- Esse congresso que o senhor está indo pregar é muito grande, né?!
Ele disse:
- Não. É um ponto de pregação. Lá tem um casal de missionários que foi enviado pela igreja, tem o caseiro da fazenda que se converteu com a esposa, as duas filhas e eu e a minha filha, nós vamos estar em oito pessoas no congresso.
Daí eu falei pra ele assim: "Mas o senhor jejuou vinte e um dias para pregar pra oito pessoas?"
(Senti que Deus estava ali naquele momento me ensinando.)
O senhor respondeu: "Sim, é que eu sou da família mais pobre aqui da região, a minha família é tão pobre que ninguém tem um carro ainda na minha família, mas eu garanto ao senhor que daqui há alguns anos todos os moradores da região irão saber que tem um homem de Deus que mora entre eles, eles vão saber que tem um homem de Deus que mora aqui, e olha, Deus olhou para a família mais pobre aqui da região, apontou para a casa mais pobre, me escolheu no meio da pobreza, me deu o dom do Espírito Santo, e eu preciso honrar porque foi Deus que me deu o dom."
Àquela altura ele já havia acabado comigo.
Chegamos no trevo, levei ele até o ponto de pregação lá no alto, no topo da fazenda onde ficava um lugar pequeno feito de madeira, escrito "Igreja assembléia de Deus."
Deixei ele, entrei no carro, me despedi, não falando a ele que eu era crente, pois era algo particular meu, e eu estava buscando algo de Deus ali.
Por fim eu disse: "Vamos amor, estamos atrasados já para o congresso em Ponta Grossa". Então a minha esposa falou: "Não amor, não vamos não." Eu questionei: "Como não vamos amor?"
Ela me perguntou quanto eu tinha na carteira, e continuou:
"Amor, desde quando servimos a Deus, tem faltado alguma coisa? Tem faltado farinha na panela? Tem faltado azeite na botija? Deus tem deixado faltar alguma coisa pra nós? Eu disse: "Não, meu amor".
- Quanto você tem na carteira? Ela indagou. Ao contar, percebi que tinha trezentos e uns quebrados. Ela prosseguiu: "Dê para o irmão."
Eu disse: "Mas por que, amor?"
Ao que ela contou:
- Eu entrei no banheiro com a menina no restaurante quando fomos almoçar, e ela estava com uma moedinha de um real, aí eu perguntei pra ela, por que você não comprou um salgadinho, filha? A menina respondeu que não poderia gastar esse real porque estava indo em um culto adorar a Deus, e o seu papai havia falado que não se pode ir de mãos vazias, é preciso levar uma oferta de gratidão pelo que Deus é em nossas vidas, e essa ofertinha ela estava guardando para agradecer a Deus pela sua vida.
Aí a minha esposa perguntou o porquê eles ainda não haviam comido, e ela respondeu que o pai trabalhou na colheita do feijão, mas só iria receber na segunda-feira.
Então, literalmente eles estavam indo fazer o trabalho para Deus sem dinheiro.
Desci do carro, enfiei a mão no bolso dele sem falar quanto tinha, e disse: "Olha irmão, um cafezinho pro senhor tomar", soltando os trezentos e pouco no bolso dele.
Aí ele olhou pra mim e declarou:
- Não sei se você crê nas coisas de Deus, mas se você crê em Deus, abaixa a cabeça que eu vou orar pelo senhor.
Eu baixei a cabeça, ele orou por mim, e fomos embora.
Chegamos em Ponta Grossa no setor de pregação do congresso e fomos ministrar a palavra de Deus. Fonte web.
Que linda história verídica!
Hoje transcrevi esse testemunho para mostrar a cada um de vocês que Deus sempre será Deus. Nunca duvide do seu poder, da sua grandeza e da sua majestade. Somente creia!
Por Jonas Santana



Meu Deus!, quer dizer se você não tivesse parado para dar-lhe essa carona, eles tinham feito todo este trajeto a pé e de estômago vazio e acima de tudo feliz. Fiquei encantado com história. Glória a Deus.
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