Os opostos se atraem?




Esta semana estive em São Paulo com meu filho. Fui levá-lo para fazer algumas consultas e passar pelo especialista em prótese ocular. Minha esposa, que sempre viajou com ele, não pôde ir dessa vez, então eu fui. Lá, conheci o especialista mencionado, um senhor já mais velho que eu, muito simpático. Minha esposa, que sempre teve contato com ele, me dizia que ele era muito profissional e organizado, mas que também era ranzinza, resmungão e reclamava de tudo quando as coisas não estavam de acordo com o que ele dizia. Pude constatar tudo isso pessoalmente, e realmente era como ela falava. O senhor Hugo é nota dez em profissionalismo e organização, mas não daria a mesma nota em relacionamento e misericórdia.

Foi um encontro muito bom, pois descobri durante nossas conversas que Hugo é ateu. Então, durante todo o dia, falamos muito sobre o assunto, sempre respeitando as opiniões um do outro, colocando nossos pontos de vista divergentes em pauta.

Para mim, que sou cristão e tenho Deus, não fui surpreendido ao saber disso, pois já conversei com alguns ateus ao longo da minha vida.

Ateísmo é a não crença na existência de deuses ou divindades. O ateu forte afirma não haver deuses, enquanto o ateu fraco não acredita, mas não afirma com certeza. O agnosticismo, por sua vez, não sabe se deuses existem.

O ateu pode usar alguns argumentos a seu favor: a falta de evidências empíricas, inconsistências em textos sagrados e o problema do mal (sofrimento injusto). Existem também os argumentos contrários: o argumento cosmológico (origem do universo), o argumento teológico (ordem e propósito) e experiências espirituais.

Sabe por que me dei bem com meu amigo Hugo? Porque ouvi atentamente suas falas e evitei qualquer tipo de julgamento. Esse é o segredo para ter uma boa relação com quem se diz ateu. Fui sincero, não tive receio de responder e perguntar, tive empatia e evitei generalizações.

Existe algo em comum entre cristãos e ateus: ambos são pessoas éticas, buscam pelo sentido das coisas e se importam com os outros, tendo compaixão. Há respeito mútuo, valorização das diferenças, e ambos são tolerantes em aceitar perspectivas divergentes, gostando de dialogar e aprender juntos. São dedicados a conhecer aquilo que acreditam ser a verdade e gostam de fortalecer os relacionamentos.

Se por acaso você quiser ter um bom relacionamento com um ateu, siga alguns conselhos básicos: seja respeitoso e aberto, evite críticas ou julgamentos, foque em entender sua perspectiva, compartilhe suas crenças sem impor e busque pontos em comum.

A Bíblia aborda o ateísmo e a incredulidade em várias passagens. Aqui estão algumas:

Velho Testamento:

Salmos 14:1 - "Diz o insensato em seu coração: Não há Deus."

Salmos 53:1 - "Diz o insensato em seu coração: Não há Deus."

Provérbios 1:7 - "O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução."

Novo Testamento:

Romanos 1:20-21 - "Desde a criação do mundo, suas qualidades invisíveis, como seu eterno poder e divindade, são claramente vistas." 

2 Pedro 3:3-5 - "Nos últimos dias, virão escarnecedores com zombaria, vivendo segundo suas próprias concupiscências." 

1 Coríntios 1:20 - "Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o investigador deste mundo?"

A Bíblia considera o ateísmo como uma forma de rebeldia contra Deus (Romanos 1:18-32). A incredulidade é resultado da ignorância ou da rebeldia (2 Pedro 3:5). Deus é revelado através da criação e da consciência humana (Romanos 1:20; Salmos 19:1-6). A Bíblia enfatiza a importância da fé e da busca por Deus (Hebreus 11:6).

Essas passagens oferecem uma perspectiva bíblica sobre o ateísmo. Lembre-se de que o diálogo respeitoso e a empatia são essenciais ao discutir crenças. O diálogo respeitoso pode nos levar a uma compreensão mais profunda e enriquecedora. Que possamos aprender uns com os outros.

Quero finalizar contando duas histórias que ouvi de um pastor aposentado também nesta semana durante a viagem.

A primeira é sobre um ateu que abordou dois irmãos crentes e perguntou se realmente eles acreditavam em Deus. Eles responderam que sim. O ateu então questionou como era possível que eles acreditassem em um Deus que nunca viram, ouviram ou sentiram. Eles responderam da seguinte maneira: "Você já ficou doente?" O ateu confirmou que sim. Então, perguntaram: "O que você sentiu?" O ateu respondeu que sentiu uma dor terrível na barriga que tomou seu corpo inteiro, tão forte que quase morreu. Os irmãos crentes disseram: "Mas você viu a dor?" Ele respondeu que não. "Mas você sentiu, não sentiu?" "Sim, claro que senti." "Você conseguiu pegar a dor?" Ele disse que não. "Mas ela te pegou, não foi?" "Sim." Então, disseram: "Meu amigo, você não viu, mas sentiu; não pegou, mas ela estava em você. Assim é o nosso Deus: a gente não vê, mas sente; não pega, mas Ele está sempre conosco através da fé."

A outra história é de um médico que iria operar uma criancinha. Ao entrar para vê-la antes da cirurgia, ela o abordou e disse: "Doutor, quando for operar meu coração, que você o abra, quero que preste bastante atenção em como é Jesus, para depois me dizer como Ele é bonito." O médico, que era ateu, saiu indignado, se queixando com a enfermeira porque os pais faziam isso com uma criança, dizendo que Jesus estava dentro do coração dela. O médico disse à enfermeira que aquela criança, após a cirurgia, só teria dez minutos de vida, pois seu caso era irreversível. Ele comentou que, já que Jesus era tão bom assim, por que Ele mesmo não operava a criança? Agora que ela acreditava nisso, ele deveria colocar a culpa Nele pelo fato de não poder fazer nada para reverter a situação e ainda levar a culpa da morte da criança. No dia da cirurgia, o médico abriu o coração da criancinha e logo fechou, dizendo que não havia mais o que fazer, que era só esperar os dez minutos, pois ela não resistiria mais que isso. Saiu da sala de cirurgia e a enfermeira ficou cuidando da criança. Passados os dez minutos, ao invés de morrer, a criança começou a reagir; a cada minuto que passava, ela ia melhorando. Uma hora depois, a criancinha estava com seu coração perfeito. A enfermeira então foi chamar o médico para dizer que a criança estava bem. Ele não acreditou e foi conferir. Ao entrar na sala, viu que a criança estava com os batimentos normais, examinou e ficou sem acreditar. Nesse momento, a criança abriu os olhos, viu o médico espantado em sua frente e perguntou: "Doutor, e aí, me conte como é Jesus, o Jesus que você viu dentro do meu coração." Ele respondeu que Ele era lindo, poderoso e maravilhoso. Depois do milagre, o médico passou a acreditar em Jesus e se tornou um cristão. Deus é Deus.

                  Por Jonas Santana

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