Fé, dor e saudade.
Duas histórias tristes que me chamou atenção essa semana foi o caso de duas mães que perderam a batalha por a vida para o câncer. Uma aqui bem perto a outra mais distante, mas as duas comoveram a mim e a todos que as conheciam.
Em momentos como esse a dor e o sofrimento parecem ser insuportável, mas é preciso buscar forças para vencer essas provações.
Sabemos que a morte já é difícil por si só, e quando envolve mães jovens deixando filhos pequenos, toca ainda mais fundo. Dá uma sensação de injustiça, de fragilidade da vida, e às vezes até medo ou impotência.
É normal isso mexer conosco, mesmo sem conhecer pessoalmente. Essas histórias fazem a gente pensar na própria vida, na família, em como tudo pode mudar de repente. Permita-se sentir essa tristeza ela mostra sensibilidade e empatia, não fraqueza.
Esse sentimento é muito humano. Muitas vezes surgem perguntas justamente quando a gente se depara com algo que foge do nosso controle e da nossa lógica.
Perguntas como: “por que uns são curados e outros não?” não tem uma resposta simples e talvez por isso doa tanto. A gente tenta encontrar um sentido, uma regra, algo que explique… mas a realidade é que a doença não escolhe pela fé, pela bondade, pela idade ou pelos filhos que alguém tem. Isso entra em choque direto com aquilo que a gente gostaria que fosse justo.
Amados, e falando sobre a fé, esse ponto costuma machucar ainda mais. Muitas pessoas crescem ouvindo que “fé cura”, que “Deus não abandona”, e quando alguém muito crente morre, parece que tudo isso desmorona. Mas perder a batalha contra um câncer não significa falta de fé, nem que Deus tenha falhado, nem que a pessoa não foi ouvida. Às vezes a fé não está em ser curado, mas em conseguir amar, lutar, cuidar e permanecer humano até o fim mesmo que isso seja difícil de aceitar para quem fica.
Também é normal surgir revolta, confusão, até um certo silêncio interior:
“Então de que adianta?”
“Por que tanta dor?”
Essas perguntas não são falta de fé são parte dela. Questionar também é um jeito de buscar sentido.
Quero deixar para você que já passou ou está passando por um momento como esse, um pensamento mais suave: talvez algumas histórias não venham para nos dar respostas, mas para nos lembrar da urgência de amar, cuidar, dizer o que sentimos e valorizar o agora, pois tudo isso pode mexer com a fé, com o medo ou com a injustiça.
É como se o coração ficasse cansado de tentar entender, né?
Quando mexe com a fé, surge a confusão: acreditar, mas não compreender.
Quando mexe com o medo, vem o pensamento: “e se acontecer com alguém que eu amo?” ou “e se acontecer comigo?”.
E quando mexe com a injustiça, dá uma dor silenciosa: “não era para ser assim”.
Você não precisa resolver tudo isso agora. Algumas dores não pedem respostas, pedem acolhimento. Às vezes, o mais honesto que a gente pode dizer é: “eu não entendo, mas isso me dói”. E tudo bem.
E se em algum momento isso virar angústia constante, medo excessivo ou tristeza que não passa, conversar com alguém de confiança ou até um profissional pode ajudar muito não porque você é fraco, mas porque você sente profundamente.
A Bíblia não ignora a dor nem finge que tudo é fácil, pelo contrário, ela acolhe o sofrimento humano com muita verdade. Vou compartilhar alguns conselhos e consolos que a Palavra de Deus oferece para momentos como esse, sem respostas simplistas.
Deus entende a nossa dor e permite o lamento. A Palavra mostra que questionar e chorar não é pecado.
“Até quando, Senhor?” (Salmos 13:1)
“O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado.” (Salmos 34:18)
Você pode levar sua confusão, tristeza e até revolta a Deus. Ele não se ofende com um coração sincero.
A fé não é garantia de ausência de sofrimento. Muitos homens e mulheres cheios de fé sofreram e morreram sem ver a “cura” aqui na terra.
“No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo.” (João 16:33)
A fé não nos isenta da dor, mas nos sustenta dentro dela.
Nem toda resposta vem agora. A Bíblia reconhece que há coisas que não conseguimos compreender neste lado da vida.
“Agora vemos como em espelho, de forma obscura.” (1 Coríntios 13:12)
Isso não diminui Deus, apenas mostra nossos limites humanos. Deus não é indiferente ao sofrimento. Jesus chorou diante da morte.
“Jesus chorou.” (João 11:35)
Esse versículo curto diz muito: Deus não é distante da dor humana.
A esperança cristã vai além desta vida. Para quem crê, a morte não é o fim.
“Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima.” (Apocalipse 21:4)
Isso não anula a saudade, mas oferece esperança de reencontro e restauração.
O amor continua sendo o maior chamado. Diante do inexplicável, a Palavra nos chama a amar.
“Agora permanecem a fé, a esperança e o amor; porém o maior destes é o amor.” (1 Coríntios 13:13)
Às vezes, o conselho de Deus não é “entenda”, mas “permaneça”.
Finalizo deixando para você essa oração:
Senhor Deus,
Tu conheces o nosso coração e sabes como ele fica confuso diante da dor e da perda.
Hoje colocamos diante de Ti a tristeza, as perguntas sem resposta, o medo e o silêncio que às vezes nos invade.
Acolhe, Senhor, as famílias que perderam essas mães, conforta esses filhos que ficaram, envolve-os com Teu amor e Tua presença. Onde houver vazio, leva consolo. Onde houver saudade, leva paz. Onde houver lágrimas, sê abrigo.
Quando não entendermos os Teus caminhos, sustenta nossa fé.
Quando a esperança parecer frágil, segura nossa mão.
Ajuda-nos a confiar mesmo sem compreender, a descansar mesmo em meio à dor.
Ensina-nos a valorizar o hoje, a amar mais, a cuidar melhor, e a viver com o coração sensível e cheio de compaixão, como o Teu.
Que a Tua paz, que excede todo entendimento, guarde o nosso coração e a nossa mente.
Em nome de Jesus, amém.
Por Jonas Santana



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