A Riqueza Que Fica Para Trás

 


Há alguns dias parei para refletir sobre uma situação que me fez pensar muito na vida. Conheço uma pessoa que dedicou anos do seu trabalho a uma família. Trabalhou com dedicação, ajudou a construir resultados e fez sua parte com honestidade. Quando chegou o momento de seguir outro caminho e receber aquilo que era seu por direito, surgiram conflitos, mágoas e ressentimentos. O mais triste não foi a questão financeira, mas a falta de reconhecimento por tudo o que havia sido feito ao longo dos anos.

Enquanto pensava nisso, uma pergunta veio à minha mente: por que algumas pessoas permitem que o dinheiro endureça tanto o coração?

A Bíblia nos mostra que esse não é um problema novo. Salomão foi um dos homens mais ricos que já existiram. Possuía riquezas, propriedades, fama e poder. Tinha tudo o que muitos sonham conquistar. Mas depois de experimentar tudo isso, escreveu uma das declarações mais impressionantes das Escrituras:

"Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade." (Eclesiastes 1:2)

Salomão descobriu algo que muitos só percebem tarde demais: a riqueza pode encher os cofres, mas não o vazio da alma. Pode aumentar o patrimônio, mas não o valor de uma pessoa diante de Deus.

Talvez seja por isso que Jesus contou a parábola do rico insensato. Aquele homem teve uma grande colheita e pensou apenas em aumentar seus celeiros. Seus planos eram grandiosos. Sua confiança estava nos bens que havia acumulado. Então disse para si mesmo:

"Tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga." (Lucas 12:19)

Mas Deus lhe respondeu:

"Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?" (Lucas 12:20)

Que palavras fortes! Em um único instante, tudo aquilo que parecia tão importante perdeu o valor. Os celeiros ficaram. Os bens ficaram. O dinheiro ficou. Mas a vida acabou.

Às vezes vejo pessoas tratando outras com desprezo porque possuem mais dinheiro, mais influência ou mais recursos. Esquecem-se de que o valor de um ser humano não está na conta bancária, mas no fato de ter sido criado à imagem de Deus. O rico pode ter mais bens, mas não tem mais valor diante do Senhor do que o trabalhador simples que luta diariamente para sustentar sua família.

A verdade é que todos nós chegaremos ao mesmo destino. O dia virá em que deixaremos para trás casas, carros, terras, empresas, dinheiro e tudo aquilo que acumulamos durante a vida. Como declarou Jó:

"Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei." (Jó 1:21)

Ninguém leva nada desta terra. Nem escrituras, nem cofres, nem ouro, nem prestígio. O único patrimônio que atravessa a eternidade é o caráter formado pela graça de Deus.

Por isso, penso que a verdadeira riqueza não está em quanto possuímos, mas em como tratamos as pessoas que Deus coloca em nosso caminho. Há quem acumule bens e perca amigos. Há quem acumule patrimônio e perca a humildade. Há quem conquiste muito dinheiro e perca a capacidade de agradecer, reconhecer e valorizar aqueles que o ajudaram na caminhada.

Que Deus nos livre dessa pobreza de espírito.Que possamos trabalhar, prosperar e crescer, mas sem permitir que as riquezas ocupem o lugar de Deus em nosso coração. Porque quando a última página da nossa história for escrita, não será perguntado quanto acumulamos, mas quem nos tornamos.

"Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele." (1 Timóteo 6:7)

Meu amigo, se hoje você possui muito ou pouco, lembre-se de que tudo é passageiro. O dinheiro fica. Os bens ficam. A fama fica. Mas a nossa alma seguirá para a eternidade. Que o nosso maior tesouro seja Cristo, pois somente Ele é uma riqueza que a morte jamais poderá tirar.

Amigo, examine hoje o seu coração. Existe algo ocupando o lugar de Deus? Existe alguém que você precisa valorizar, perdoar ou reconhecer? Ainda há tempo. Acumule tesouros no céu, porque são os únicos que permanecerão para sempre.

Por Jonas Santana 

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