QUANDO O PRAZER OCUPA O LUGAR DE DEUS
Tenho pensado em uma frase que pode parecer dura à primeira vista: “Deus não reconhece como seus seguidores os que buscam os prazeres. Apenas os que são desprendidos e que vivem de maneira sensata, humilde e santa são verdadeiros seguidores de Cristo.” Mas será que é exatamente isso que a Bíblia está dizendo?
Eu acredito que precisamos ter cuidado para não confundir uma vida cristã com uma vida sem alegria. Deus não é contra a felicidade, contra o descanso, contra uma boa refeição, uma comemoração ou os momentos agradáveis que a vida proporciona. Afinal, a própria Bíblia diz: “Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras.” Eclesiastes 9:7. Portanto, o problema não está simplesmente no prazer. O problema começa quando aquilo que nos dá prazer passa a ocupar o lugar que pertence a Deus.
Paulo fez uma declaração que considero muito séria: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” 1 Coríntios 6:12. Veja a profundidade disso. A pergunta não é apenas: “Isso é permitido?” A pergunta também deveria ser: “Isso está me dominando?” Porque alguma coisa pode parecer pequena aos nossos olhos e, pouco a pouco, assumir o controle do nosso coração.
A Bíblia fala de pessoas que seriam “mais amantes dos prazeres que amigos de Deus”. 2 Timóteo 3:4. Perceba que o problema não é simplesmente gostar de alguma coisa. O problema é amar os prazeres mais do que amar a Deus. É quando a pessoa começa a escolher aquilo que agrada à carne mesmo sabendo que aquilo desagrada ao Senhor. É quando Deus fica em segundo plano porque o prazer, o dinheiro, a diversão, o conforto ou os desejos pessoais se tornaram prioridade.
Jesus foi muito claro quando disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” Mateus 16:24. Seguir Cristo envolve renúncia. Nem sempre aquilo que eu quero é aquilo que Deus quer para mim. Nem sempre aquilo que me proporciona prazer me proporciona vida. E talvez uma das maiores provas de maturidade espiritual seja justamente aprender a dizer “não” para aquilo que eu poderia ter, mas que Deus sabe que não devo ter.
Mas existe outro perigo: pensar que santidade significa apenas deixar de fazer determinadas coisas. Posso não buscar determinados prazeres e ainda assim ter um coração cheio de orgulho, vaidade, julgamento e falta de amor. Jesus encontrou pessoas extremamente religiosas que conheciam as Escrituras, mas estavam distantes de Deus. Ele disse: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Mateus 15:8.
Por isso, não quero apenas parecer um cristão. Quero ser transformado por Cristo. Não quero apenas aprender o que devo abandonar; quero aprender a amar aquilo que Deus ama. Não quero simplesmente trocar alguns prazeres por regras religiosas. Quero permitir que Deus transforme os desejos do meu coração.
A verdadeira questão talvez não seja: “Eu posso fazer isso?” Mas: “Isso me aproxima ou me afasta de Deus?” Não é apenas: “É pecado?” Mas também: “Isso está ocupando um espaço no meu coração que deveria pertencer a Cristo?”
Porque existem coisas que talvez não sejam pecado em si mesmas, mas podem se tornar perigosas quando passam a nos dominar. E quando alguma coisa começa a ocupar mais espaço em nossa mente do que Deus, quando pensamos mais nela do que na eternidade, quando não conseguimos abrir mão dela mesmo sabendo que precisamos, talvez já não estejamos simplesmente desfrutando de uma bênção. Talvez estejamos servindo a um ídolo.
Tito 2:11-12 diz: “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente século sensata, justa e piedosamente.” Perceba que a graça não apenas nos perdoa; ela também nos ensina a viver. A graça de Deus não é uma autorização para continuarmos sendo escravos dos nossos desejos. Ela é o poder que nos ensina a dizer não ao que nos afasta de Cristo e sim àquilo que nos aproxima dEle.
Hoje eu quero fazer uma pergunta para mim mesmo e também para você: quem está no controle da minha vida? Deus ou os meus desejos?
Porque podemos frequentar uma igreja, carregar uma Bíblia, cantar hinos e falar de Deus e, ainda assim, permitir que alguma coisa ocupe o trono do nosso coração.
Cristo não está procurando pessoas que nunca sintam vontade de fazer aquilo que é errado. Ele procura pessoas que, quando sentirem essa vontade, escolham confiar nEle. Pessoas que entendam que algumas renúncias não são castigos, são livramentos. Que alguns “nãos” de Deus são, na verdade, provas do Seu amor.
Talvez hoje você precise abrir mão de alguma coisa. Talvez seja um hábito, uma amizade, uma prática, um desejo, uma maneira de viver ou simplesmente a necessidade de sempre satisfazer a própria vontade. Não pense que Deus está querendo tirar sua felicidade. Talvez Ele esteja apenas tentando tirar aquilo que está impedindo você de encontrar uma felicidade muito maior nEle.
Eu quero terminar com uma oração simples: Senhor, não permita que os prazeres desta vida ocupem o lugar que pertence somente a Ti. Dá-me sabedoria para desfrutar das bênçãos sem me tornar escravo delas. Ensina-me a renunciar quando for necessário, a viver com humildade, sensatez e santidade, mas também com alegria e gratidão. Que o meu maior prazer não esteja nas coisas que passam, mas em estar contigo. E que, quando o mundo oferecer algo que queira tomar o Teu lugar no meu coração, eu tenha coragem de dizer: “Eu prefiro Cristo.” Amém.
E você? Existe algum prazer, desejo ou coisa desta vida que, sem perceber, pode estar ocupando no seu coração o lugar que deveria pertencer somente a Deus?
Por Jonas Santana



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